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Por Horacio Balussi, CIO da Agrobit

Em uma empresa agroindustrial, um mesmo dado pode passar por vários sistemas antes de chegar a uma reunião da diretoria. O trabalho é registrado no campo, a compra fica na administração, o consumo aparece em outro aplicativo e o custo acaba sendo calculado em uma planilha. Cada parte contém informações úteis, mas reuni-las leva tempo e, muitas vezes, exige a revisão de critérios antes que se possa discutir o negócio.

Isso explica uma situação bastante comum. Quando alguém pergunta quanto custou uma campanha, qual foi o rendimento de um lote ou onde ocorreu um desvio, diferentes áreas podem apresentar respostas diferentes. Os números refletem momentos, fontes e formas de cálculo que ainda não estão alinhados.

 

A etapa seguinte consiste em conectar essas informações para que as áreas de campo, compras, produção, custos e finanças trabalhem com base em critérios compartilhados. A direção precisa conduzir esse processo, pois integrar também implica definir o que é medido, quem é responsável por cada dado e como a informação circula entre as áreas. É aí que começa uma operação integrada, desde o lote até o balanço patrimonial.

Como a tecnologia evoluiu no setor agrícola?

Acompanhando nossos clientes nessa jornada, aprendemos a distinguir três etapas que se sobrepõem e que avançaram rapidamente.

A primeira foi a do registro. Passamos do caderno no campo e da pasta do engenheiro para grupos no WhatsApp e planilhas de cálculo. Ganhamos organização, mas cada um montava sua planilha à sua maneira, e os dados ficavam no computador de quem os inseria.

A segunda foi a da especialização. Surgiram as ferramentas específicas para cada área: imagens e índices de satélite, mapas de rendimento, softwares de gestão agrícola, sistemas de plantio e o ERP no escritório. Cada área ganhou precisão. O problema é que a empresa acabou tendo várias versões da verdade, cada uma correta dentro de seu próprio sistema e difícil de cruzar com as outras.

A terceira etapa é aquela que estamos começando a percorrer: a integração. Aqui, a pergunta que a diretoria se faz passa a ser outra: se uma ordem de serviço executada em um lote no sul de Buenos Aires chega à contabilidade com seu custo, seu consumo de insumos e seu andamento, sem que ninguém precise digitá-la novamente.

Quais são os desafios que as grandes agroindústrias enfrentam hoje?

Muitos de nossos clientes são grupos com várias unidades de negócios, razões sociais distintas, campos próprios e arrendados, fábricas e logística. Ao trabalhar com eles, identificamos quatro desafios que se repetem.

A escala multiplica os circuitos. Cada nova unidade acrescenta sua forma de trabalhar. Uma das lições mais importantes que aprendemos com as equipes de campo de nossos clientes: se o registro de informações for complicado, ele é adiado, e o que é adiado acaba sendo registrado incorretamente ou nem é registrado. Por isso, em uma operação integrada, o registro de dados no campo precisa ser simples, funcionar sem conexão e ficar conectado ao restante da empresa desde o primeiro registro.

O campo e o departamento financeiro operam em ritmos diferentes. A operação sofre alterações de acordo com a safra e as condições climáticas; a administração realiza fechamentos mensais e por exercício fiscal. Quando os sistemas não se conectam, o fechamento depende de reconciliações manuais.

Clientes e mercados exigem comprovações. As exigências de sustentabilidade aumentam e, com elas, a necessidade de apresentar protocolos, registros e documentação organizada. Se essas informações estiverem espalhadas em pastas avulsas, cada auditoria se transforma em uma semana de buscas.

Por que a integração empresarial é uma decisão da diretoria?

Porque a integração obriga a definir questões que nenhuma área consegue resolver sozinha. Qual é o indicador principal. Quem é o responsável por cada dado. Qual processo se adapta a qual. Se isso for delegado aos sistemas, cada gerência vai defender, com bons motivos, sua forma de trabalhar, e o resultado será mais uma camada de software sobre as que já existem.

Nos diagnósticos que realizamos com equipes de gestão, há três perguntas que ajudam a entender o nível de integração de cada empresa:

  • Com que facilidade vocês conseguem comparar o custo executado por lote com o orçado, sem precisar preparar um relatório especial?
  • Qual é o percurso que uma ordem de serviço percorre, desde o campo até a contabilidade, e quanto tempo leva para ser registrada?
  • Qual é o nível de autonomia que a operação de campo mantém quando algum sistema corporativo fica temporariamente indisponível?

As respostas permitem identificar oportunidades concretas de melhoria. A terceira pergunta é especialmente importante: uma integração bem projetada também preserva a continuidade operacional.

O que é uma operação orquestrada e o que muda para a direção?

Chamamos esse modelo de operação orquestrada. A imagem da orquestra nos serve porque cada área (campo, indústria, logística, comercial, administração) continua tocando sua parte, com seu ritmo e sua especialidade, mas todas seguem a mesma partitura: um único modelo de dados onde o que acontece no lote se reflete no restante da empresa.

No dia a dia, isso se reflete em três aspectos. O que foi planejado, projetado e executado é visualizado em um único lugar. As ordens de serviço, os consumos, a produção e os custos são contabilizados no ERP sem passar por uma planilha intermediária. E cada área deixa de defender seus próprios números, pois passa a haver um único número.

Para a diretoria, a maior mudança está na forma de comunicação. A diretoria pode perguntar sobre a margem de lucro de um lote, de uma unidade de negócios ou de um contrato, e a resposta vem da mesma fonte que o responsável no campo utiliza. As reuniões deixam de começar com a reconciliação de números e passam diretamente para o que precisa ser decidido.

Por isso, a SAP AGRO reúne em um único modelo a agricultura com rastreabilidade técnica e econômica, a pecuária, a logística, o agronegócio (contratos, preços, posição física e comercial) e a sustentabilidade, conectados ao núcleo de compras, vendas, armazéns, produção e finanças.

Em toda essa discussão sobre integração, dados e inteligência artificial, as pessoas continuam no centro. A tecnologia organiza as informações; as decisões são tomadas pelas pessoas.

Por onde é melhor começar?

Os projetos que mais avançaram com nossos clientes evitaram o grande projeto que pretende mudar tudo de uma vez. Esse tipo de iniciativa se prolonga indefinidamente, esgota as equipes e perde apoio antes mesmo de apresentar resultados.

Funciona melhor escolher um circuito específico. Com esse diagnóstico em mãos, a decisão de integrar é tomada com os números do negócio sobre a mesa.

Sobre o autor

Horacio Balussi é CEO da Agrobit, empresa argentina de software de gestão agrícola para médias e grandes empresas do setor agrícola.

 

 

 

Perguntas frequentes

O que é a transformação agroindustrial?

É o processo pelo qual uma empresa do setor agrícola integra suas operações de campo, sua indústria e sua gestão administrativa e financeira em um único fluxo de informações, para tomar decisões com base em dados atualizados, completos e confiáveis.

O que é umaoperação orquestrada?

É um modelo de gestão no qual todas as áreas de uma agroindústria (campo, indústria, logística, comercial e finanças) trabalham com um mesmo modelo de dados. Cada uma mantém sua especialidade, e o que é registrado no lote reflete nos custos, no estoque e nos resultados, sem sobrecarregas duplicadas.

Qual é a diferença entre digitalizar e integrar?

Digitalizar é transferir um processo para uma ferramenta digital. Integrar é fazer com que essas ferramentas compartilhem os mesmos dados, de modo que o que é registrado no lote tenha impacto nos custos, no estoque e na contabilidade sem precisar ser inserido novamente.

O que um ERP tem a ver com a operação de campo?

O ERP concentra compras, vendas, armazéns, produção e finanças. Quando integrado à gestão agrícola, cada tarefa, consumo e insumo do campo se reflete nos números da empresa com seu custo correspondente.

 

 


Post by Agrobit
30 de out. de 2026 12:33:03

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